FUNDIS / Apresentação / Os Fundos Monástico-Conventuais da Biblioteca Pública de Évora (2013)

Entre 2011 e 2012, com a colaboração de Liliana Silva e Samuel Borrego, foram inseridos na base de dados os fundos documentais de mais de 150 instituições: ordens religiosas, congregações, colégios, recolhimentos, conventos, mosteiros, hospícios e confrarias anexas.

Este trabalho foi feito a partir da publicação de João Luís Fontes, Joaquim Bastos Serra e Maria Filomena Andrade, intitulada Inventário dos Fundos Monástico-Conventuais da Biblioteca Pública de Évora, que inventaria esta extensa quantidade de fundos, hoje depositados na Biblioteca Pública de Évora. Embora, no caso de algumas destas instituições, parte dos seus acervos se encontrem noutras entidades detentoras – de que são exemplo a Torre do Tombo ou o Arquivo Distrital de Évora – apenas a documentação existente na Biblioteca Pública foi inventariada por aqueles autores e, consequentemente, disponibilizada na FUNDIS.

Ainda que a maior parte destes fundos seja proveniente de instituições alentejanas, alguns deles têm outras origens. Convém, assim, esclarecer que, embora a FUNDIS agregue, maioritariamente, referências documentais de fundos de instituições do Sul de Portugal, alguns dos fundos cujas referências foram publicadas no livro citado não são de entidades desta área geográfica. Algumas eram, até, situadas em locais bem distantes do extenso império português. Considerou-se, todavia, que todos os fundos publicados, independentemente da localização das suas instituições de origem, deviam ser integrados na base, o que foi feito.

São de referir também algumas circunstâncias que justificam muitos dos embaraços encontrados e os resultados do trabalho desenvolvido, quer na publicação citada, quer na introdução dos dados na base. A desordem do processo de integração desta massa documental na Biblioteca Pública de Évora, e o facto de assim se ter mantido até à actualidade, faz com que as unidades de instalação (livros, maços, pastas, cadernos) se encontrem misturadas, sem consideração de qualquer ordem original e, em muitos casos, nem sequer de proveniência. Ainda que na maior parte das situações a documentação se encontre separada por fundos, casos existem em que uma unidade de instalação, supostamente pertencente a uma entidade, possui, no entanto, documentação oriunda de outra. Além disso, mesmo em unidades que contêm na totalidade documentos de um determinado fundo, o que se verifica é a mistura de tipologias documentais, situação mais notória nos maços de avulsos. Acresce que as cotas atribuídas usam, em muitos casos, um sistema de referenciação algo complexo (que combina numeração romana e árabe) e que foi atribuído sem ter em conta qualquer separação ou ordem lógica da documentação. Mesmo em situação de referenciação mais simples, com a atribuição apenas de um número árabe, a numeração foi feita sequencialmente sem ter em conta a diferenciação de tipologias documentais ou a sua ordem cronológica de produção.

Uma vez que não era possível promover uma intervenção arquivística prévia à inventariação todas as unidades de instalação foram listadas – integradas em séries constituídas para o efeito – mas sem que houvesse uma separação de tipologias documentais, a criação de um quadro de classificação que permitisse uma subdivisão da documentação em secções, ou a atribuição de um sistema de referenciação mais lógico, uniforme e normalizado.

Estas circunstâncias justificam a forma como a documentação aparece referenciada e descrita na base de dados, o que por vezes pode parecer ilógico a quem pesquisa a informação e se depara com os resultados. Mas, como explicitado, não foi ainda possível superar estes constrangimentos. Como não existe na biblioteca qualquer inventário destes fundos, era imprescindível um trabalho desta natureza, que permitisse conhecer e aceder a tão vasta quantidade de documentos, que possuem informação extraordinariamente importante e que se mantém, quase na totalidade, por explorar. Desta forma, quer a publicação das suas referências em livro, quer a sua inclusão na base de dados, pretenderam colmatar essa realidade. Entre não possuirmos uma descrição pública destes fundos, que possibilitasse a sua difusão, ou existir uma inventariação com várias limitações, pareceu-nos que a última hipótese ganhava maior peso.

Desejando que no futuro estes fundos possam ser organizados, inventariados e acondicionados da forma mais conveniente, desde já agradecemos a João Luís Fontes, Joaquim Bastos Serra e Maria Filomena Andrade a autorização para a inclusão do inventário de sua autoria nesta base de dados.

 


Março de 2013

Fátima Farrica